Ildo Teixeira responde sobre carboxiterapia

Com Ildo Teixeira

A Carboxiterapia não é bem uma novidade para os profissionais de estética. Aliás, os resultados (principalmente em tratamentos capilares, olheiras e cicatrizes) da injeção de gás carbônico têm muitos entusiastas.

Mas o que tem de resultados, também tem de polêmicas. Por isso, o professor Ildo Teixeira veio responder 12 perguntas sobre Carboxiterapia.

Afinal, carboxi funciona para celulite? É uma boa na associação com radiofrequência? E quais os cuidados para aplicação na área dos olhos?

Vem com a gente!

#1. Qual a principal indicação da Carboxiterapia para a estética?

Prof. Ildo: O uso da Carboxiterpia é bem amplo. Ela é eficaz para tratamentos de celulite, gordura localizada, estrias, cicatrizes de acne, olheiras, etc. Eu já usei até para trabalhar com ortopedia (como em deep carbox em fascia e regiões subcutâneas para irrigar tecidos profundos) e tive ótimos resultados.

Claro que, nem sempre, ela será a terapia principal. Às vezes atua nestes tratamentos enquanto coadjuvante ou potencializadora de outras terapias.

Mas eu diria que as principais indicações da Carboxiterapia são cicatrizes, aderências, tratamentos capilares e olheiras vasculares.

Astutos Tonederm - aparelho de carboxiterapia
Sycor aparelho de carboxiterapia da KLD

#2. Carboxiterapia funciona para celulite?

Prof. Ildo: Depende do tipo de celulite. Para a celulite inflamatória eu não indicaria porque a Carboxiterapia vai gerar uma vasodilatação e um processo inflamatório no local – o que a gente não quer quando está tratando este tipo de celulite.

Já para celulites edematosas, fibróticas e flácidas – este é um ótimo recurso porque a pressão do gás vai fazer uma alteração na malha subcutânea. Isso leva a uma alteração do sistema venolinfático e favorece a troca da substância fundamental amorfa com a membrana plasmática celular. Além disso, a pressão do gás encontra caminhos pela fibrose – liberando-a.

As grandes questões neste caso são:

  • Saber avaliar corretamente o tipo de celulite (de preferência com auxílio de uma câmera de termografia);
  • Saber tratar quadros de celulite mista (que são a maioria). Neste caso, sugiro que primeiro você trate a celulite inflamatória e depois comece com a Carboxiterapia para o tratamento das demais.

#3. Quais estrias podem ser tratadas com Carboxi?

Prof. Ildo: As vermelhas. Pelo menos em um primeiro momento. Nesse tipo de estria você consegue um ótimo resultado por meio da Carboxiterapia.

Já no caso das estrias brancas o indicado são tratamentos que promovem vascularização e neoangiogênese antes de entrar com a Carboxi. Senão os resultados tendem a ser menores.

Estrias brancas não são fáceis de tratar com Carboxiterapia.

#4. E quanto às olheiras? Quais podem ser tratadas?

Prof. Ildo: As vasculares (pela melhora na vascularização do local). Sessões de 5 a 10 minutos de Carboxi são bem eficazes neste tipo de olheira.

A olheira edematosa também pode ser tratada com a Carboxiterapia, mas os resultados tendem a ser menores e a precisarem de mais sessões.

#5. E quais os cuidados de aplicação na área dos olhos?

Prof. Ildo: Típicos da região são principalmente dois:

a) Os vasos sanguíneos. O profissional que for aplicar o tratamento tem que conhecer bem os vasos e saber onde estão para não aplicar o gás neles;

b) A distensão da pele – porque a pele ao redor dos olhos é mais fina e mais fácil de ficar flácida. Então não se pode colocar um excesso de gás e inflar muito a região. Como dica: se o gás injetado não for o suficiente, aguarde dispersar um pouco (a absorção é bem rápida) e reaplique ao invés de inserir todo de uma vez.

#6. Qual o máximo de CO2 pode ser aplicado em uma sessão?

Prof. Ildo: Existe muita discussão sobre isso na literatura. Estudos mais antigos falam em 2000ml, outros falam em peso.

Para uma dinâmica segura, o indicado é tratar o cliente por região. Mesmo que você precise tratar mais de uma área, aplique em diferentes sessões.

Dessa forma, se for trabalhar em um interno de coxas, por exemplo, você não utilizará mais que 1500ml de gás. E a gente está falando de 1 litro e meio de gás carbônico. É muita coisa. Nem precisa disso tudo.

Ou seja: dá para usar com segurança se mantiver estes parâmetros.

Aplicação de CO2 no tratamento de gordura localizada com carboxiterapia

#7. O tratamento com Carboxiterapia pode causar embolia pulmonar?

Prof. Ildo: Existe esta abordagem na literatura – mas eu nunca vi nenhum caso.

É, mais ou menos, o que estávamos falando na pergunta anterior: depende da quantidade de gás injetada no cliente. E a gente não usa quantidades de CO2 suficientes para que ele não seja absorvido pelo corpo, causando uma embolia nos vasos.

Até porque, além disso:

  • As injeções, na grande maioria, são feitas na malha subcutânea (não nos vasos);
  • E o gás CO2 é natural e estéril– rapidamente absorvido pela hemoglobina (que tem justamente a função de jogá-lo na circulação e nos pulmões até a eliminação).

Ou seja: tem que ter o cuidado, mas utilizando os parâmetros estudados não tem perigo.

#8. Quais cuidados como gás se deve ter?

Prof. Ildo: Primeiro de tudo – tem que ser um gás carbônico medicinal, com 99,9% de pureza. Estéril.

Esta é a diferença entre o medicinal e os outros CO2. E isso é muito importante porque, se você usar um CO2 de outro tipo, ele provavelmente virá com antígenos (bactérias, fungos, vírus ou até mesmo partículas) e isso poderá gerar problemas no paciente.

Depois, é preciso tomar cuidado com o uso do equipo. Ele é descartável, de uso único. Então não pode ser deixado acoplado no aparelho, pegando impurezas. Gotículas de sangue podem (e entram) em contato com a zona luer lock de acoplagem das agulhas – contaminando essa região.

Preparou antes do atendimento. Usou. Jogou fora. Se um paciente precisar de 10 sessões, você tem que usar 10 equipos diferentes. Este, aliás, é um valor que já deve estar no cálculo do preço do tratamento.

Aplicação de CO2 com equipo na Carboxiterapia

#9. Quais são as reações adversas esperadas após o procedimento?

Prof. Ildo: Reações adversas – aquelas já esperadas e que não são problemas no procedimento: ardência no local, coceira, hiperemia, dilatação e acidose metabólica.

#10. Sobre associações: Carboxiterapia e cosméticos?

Prof. Ildo: Sempre. Essa é uma associação muito bem-vinda, principalmente nos cuidados home care. O que eu não recomendo é fazer massagem no local após a aplicação da Carboxiterapia porque eu quero que o gás fique ali – oxidando (atraindo oxigênio para) o local de aplicação.

Se eu massagear, o gás pode se mover e ser absorvido por outro lugar: talvez não o que eu estou tratando.

#11. E Radriofrequência + Carboxi? Fazem sentido juntas?

Prof. Ildo: No caso de associar na mesma sessão, eu não acho que faça muito sentido. Por que vamos pensar a RF: ela desidrata um pouco o tecido e retrai a fibra de colágeno depois de estimular a proteína de choque térmico (o efeito lifting).

E aí você vai aplicar a Carboxiterapia, causando uma distensão em um tecido que sofreu desidratação e retenção!? Eu não acho que seja interessante.

#12. Por último: pode aplicar Carboxiterapia após o Ácido Hialurônico?

Prof. Ildo: Quando falamos em Ácido Hialurônico estamos falando de preenchimento? Se sim, tem que avaliar que, quando eu uso preenchedores, eu não quero usar pressão no local porque isso pode movimentar ou até deformar a região.

Então, eu nunca vi um estudo sobre essa associação e não aconselho a aplicar a Carboxiterapia antes de terminar este prazo do preenchedor com Ácido Hialurônico.

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